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Fim de Feira SGP do dia A Sacada Genial da Publicitária do dia é uma dessas sacadas geniais que acomete certos publicitários de tempos em tempos. E quem sofre, como sempre, é a gente! Vamos logo ao assunto: mais uma eleição está chegando e, com ela, uma chuva de propaganda chata, cheia de conversa fiada, cheia de "fui eu quem fiz isso e aquilo", como se alguém realmente prestasse atenção. Como se não bastasse, ainda vem o horário eleitoral gratuito (geralmente eu uso esse tempo para pesquisar qual a forma mais rápida e menos dolorosa de se matar). Já parou para pensar o que é isso? É um monte de gente chata falando na sua tv com dinheiro pago por você! Por isso, se você ainda não fez uma "tv a gato" na sua casa, é melhor fazer já! Ou então junte-se a mim, e vamos criar uma seita anti-políticos, onde todos nós nos suicidamos no final. Pelo menos não seremos obrigados a pegar uma fila tremenda para votar nessas "coisas". Só como tira-gosto do que está para vir, olha essa que passou na tv ontem: "Maluf e São Paulo: um só coração". Dispensa comentários. Escrito por Dona Xepa às 09h09 [ ] [ envie esta mensagem ] Dúvida no supermercado Por que comprar sabão em pó Omo é tão complicado? Tem o Omo Cores, Omo Máquina, Omo Progress e Omo Multiação (ah, e o Omo líquido também, mas aí já não é mais "sabão em pó" ). Se eu quiser lavar uma roupa colorida na máquina de lavar, qual devo usar? Eu já tenho tanta coisa pra resolver e ainda tenho que me preocupar com qual Omo é mais indicado para cada peça que vou lavar? Afinal, porque não juntam esses 4 sabões e fazem um só, que resolva todos os problemas de uma vez? Ou existe alguém que compra todos os 4 tipos para lavar roupa? Quer saber? Vou levar o Ariel. Escrito por Dona Xepa às 10h41 [ ] [ envie esta mensagem ] Agora eu me pergunto: e daí? Olha, eu confesso que não sou muito fã do Raul Seixas, não. Motivos estritamente pessoais. Mas com a síndrome de último ano de facu que me acomete me veio a música "Ouro de Tolo" na cabeça. A gente luta tanto para obter determinadas coisas e, quando consegue, pode ser tão decepcionante... mas, por outro lado, não conseguir significaria carregar um fracasso pessoal nas costas, sabe como é? Eu vejo a galera que está se preparando para o vestibular e fico lembrando daquela correria, horas em cima do livro, preocupação com o número de candidatos/vaga. Esse mundo é tão distante de mim hoje. Mas esse meu desencantamento já vem daquela época. Depois de todo aquele sacríficio para entrar na faculdade que eu queria, me veio isso na cabeça: "porque foi tão fácil conseguir e agora me pergunto: e daí? Eu tenho uma porção de coisas para conquistar e eu não posso ficar aí parado...". Hoje estou aqui, com medo do desemprego eterno (ou um emprego meia-boca eterno). Eu tenho um amigão que acabou de se formar em RTV. Desempregado. Como quase todos os outros nossos amigos que se formaram em RTV, Publicidade, Jornalismo... aí ele me liga para dizer que ficou noivo. Em um primeiro momento, fico feliz pela notícia. Depois penso na sua situação: sem emprego, morando com os pais, a noiva também morando com ele, todos assim, sustentados pelos pais. Acho que só seria pior se ela estivesse grávida. E a única coisa que me vem à mente é: eu não quero isso para mim! Mas é uma questão matemática: muitos se formarão, mais que as vagas disponíveis. E muitos ficarão de fora. Principalmente aqueles que não tem uma parente ou algum amigo influente para fazer uma indicação. Eu confesso abestalhada que eu estou decepcionada. Escrito por Dona Xepa às 13h27 [ ] [ envie esta mensagem ] SGP do dia Meu... as instituições de ensino estão com tudo! Se continuar assim, vou acabar me especializando nessa área (comentário esdrúxulos sobre propagandas mais esdrúxulas ainda de instituições de ensino), hahahaha! A bola da vez é a escola de inglês CNA. E, de novo, um outdoor, que vi lá na Av. da Consolação, no centro da cidade. A mensagem: "Duas línguas dão mais prazer que uma. Inglês e Espanhol. CNA 30 anos." Muita calma nessa hora! Depois de ler a primeira frase... bem, a minha mente libidinosa voou longe! Quando eu me recuperei do ataque de risos eu já estava chegando lá na Paulista - bem ali, ao lado daquele Sex Shop, o Ponto G, sabe? Aliás, ótimo lugar para se colocar um outdoor desse, numa avenida chamada Consolação, hahahahahahahaha!!! Aí eu fiquei pensando... bem que a Aliança Francesa poderia "roubar" esse outdoor. Olha só que sacadinha publicitária genial: "Ménage a trois: porque duas línguas dão mais prazer que uma. Aliança Francesa. Para quem gosta de um francês bem gostosinho." E eles ainda poderiam ir além: no "ato" da matrícula, de brinde, o aluno recebe uma máscara e um chicotinho!!! U-la-lá!!! Escrito por Dona Xepa às 13h07 [ ] [ envie esta mensagem ] Flash-Back estudantil Às vezes eu fico pensando sobre a educação que tivemos na escola. E é difícil não lembrar sem achar tudo aquilo um absurdo. Lembra daquela sua professora que ficava irritada com a bagunça na sala de aula e começava a berrar feito uma maria-louca quando você era apenas uma criança de uns 7 ou 8 anos? Como é que uma pessoa que fica berrando para um monte de crianças daquele jeito pode ser habilitada para dar aula? Ela deveria ser habilitada para ser internada - choque nela até torrar, hahaha! Comigo já aconteceu de um tudo: professora no pré que me dava beliscão, outra que não deixava os alunos irem para o intervalo sem que terminassem a lição - nesse caso, nós ficávamos o recreio inteiro na sala de aula, trancados, sem poder comer. Foi quando eu parei de comprar lanches na cantina e trazer de casa - pior, roubava uma comida a mais para dar para os outros alunos. Saí dessa escola também. O irônico é que todas essas escolas eram (e continuam sendo) tradicionais no bairro. Só não entendi direito que tipo de tradição é essa. Putz, eu poderia ficar horas contando todas as histórias de professoras malucas que eu tive. Mas eu vou contar aquela que, na minha opinião, é a pior de todas. Eu estava na 6a série e toda a sala já se conhecia muito bem há anos. Estávamos em uma dessas panelinhas conversando na hora do intervalo (falar "hora do lanche" pega mal), quando passou no pátio a professora que ia dar a próxima aula. Algumas meninas comentaram que ela estava grávida, mas ficou aquela dúvida, afinal, não havia nenhuma informação oficial. "É só olhar, pô!", mas mesmo assim, não tínhamos total certeza. Foi quando eu disse que era melhor perguntar a ela, ao invés de ficar falando à toa. Alguns ainda disseram que a professora poderia não gostar, mas eu, inocente, não via mal algum. Além disso, ela já dava aula há muito tempo para a turma, era legal com todo mundo, sempre me tratou super bem (e pelos relatos anteriores, já deu para sentir que isso era coisa rara), então não haveria problemas. Bateu o sinal e subimos para a aula, em fila. Que coisa brega!!! Bom, na sala, a professora rodeada dos habituais puxa-sacos, enquanto os outros iam chegando. Chegaram minhas amigas e eu, e fomos tirar a dúvida. "Oi, prof, tudo bem?", "Tudo e você?", depois das formalidades, a pergunta: "Professora, é verdade que você está grávida?". Então ela pediu para todo mundo se sentar. Menos minhas amigas e eu. Acho que a sala inteira ficou em silêncio, mas eu não lembro, pra dizer a verdade. Foi quando ela começou: "A aluna tal me perguntou se eu estou grávida. Pela última vez, EU NÃO ESTOU GRÁVIDA!!! Só porque eu estou com 80 quilos fica todo mundo falando isso. Até a mãe de uma aluna me parou na saída e veio alisar minha barriga e ficou falando 'que bonitinho, tá de quantos meses?' O que vocês estão pensando? Eu sou de uma família tradicional, se sabem disso, vai ser um escândalo! E o meu noivo, o que ele vai pensar de mim? Vai terminar comigo!" Então veio a cena fatal. Ela começou a segurar com muita força e muita raiva toda a banha que se encontrava em sua barriga, e chacoalhava, gritando "EU NÃO ESTOU GRÁVIDA, EU NÃO ESTOU GRÁVIDA!!!". Eu não consigo me lembrar com muita precisão da reação da sala frente a tudo isso. Muito menos a minha. Eu lembro que todo mundo riu quando ela disse que estava com 80kg. E eu também lembro que me deu uma vontade tremenda de rir quando ela fez a "cena fatal". Eu pensei: pois se ela estava grávida, acabou de matar o bebê. Mas eu sinto que dentro de mim e da sala inteira, todos se sentiam boquiabertos, se perguntando o que era aquilo. Eu nem lembro como minhas amigas e eu fomos até nossas carteiras, depois. Difícil dizer o que aconteceu até o início do próximo ano, pra ser bem sincera. Foi a coisa mais surreal na minha vida estudantil. O pior é que tudo foi feito na melhor das intenções, sem maldade mesmo. Só não queimou nosso filme na sala porque a gente logo descobriu quem foi a mãe vacilona que fez isso - a mãe de uma das puxa-sacos, claro (outra maluca, que certa vez invadiu nossa aula mandando todo mundo calar a boca. Como é triste ser dondoca desocupada - e barraqueira). Vejam só como a escola contribui para a nossa formação: até hoje morro de medo de chegar perto de qualquer mulher que aparente estar grávida. Escrito por Dona Xepa às 16h20 [ ] [ envie esta mensagem ] Revolta às Aulas Essa semana que passou foi uma tortura para muita gente. Inclusive para mim. Volta às aulas é sempre uma tragédia. Exceto para o bixo feliz, que ainda não sabe o que os próximos 4 ou 5 anos lhe reservam. Eu tenho me sentindo como uma daquelas crianças que ficam chorando no portão da escola, vendo seus pais indo embora - "O que será de mim aqui dentro?". A coisa chega a um patamar que tudo aquilo que se tem vontade de fazer acaba sendo deixado para segundo plano. E o que acabei de escrever me faz pensar que meu curso não é algo que estou com vontade de fazer no momento. É horrível o que uma escola, ou faculdade, faz com a gente. Há alguns anos eu estava prestando vestibular para o curso que eu queria fazer, para trabalhar com a profissão dos meus sonhos e blablabla... agora, no último ano, tudo o que penso é "não vejo a hora de pegar esse diploma e me mandar daqui". A desilusão é grande porque, no fundo, dane-se o que você aprendeu. O importante é conseguir a nota mínima para passar. E daí, mais esperto mesmo foi aquele que tomou umas biritas lá no bar e não ficou ouvindo aula sacal. O que mais me incomoda nesse tipo de gente é que eles sempre conseguem que alguém sinta pena e inclua o nome no trabalho, mesmo sem terem feito absolutamente nada. Tudo isso faz parte de uma síndrome assombrosa que acomete algumas pessoas na minha situação: síndrome do último ano de faculdade. Como ouvi certa vez, "até o penúltimo ano, você tem férias; depois, o nome muda para desemprego". Eu cuspi para cima, pois sempre tive certeza de que isso não aconteceria comigo. Mas como sempre, o tempo é o senhor da razão. E aí vem a dúvida: será que escolhi o curso certo? É essa a incerteza que sinto no momento: parece que eu escolhi uma profissão, mas ela não me escolheu. Vide inúmeras dinâmicas desastrosas. Toda vez que eu não passo em um processo seletivo, é como se me dissessem "vá fazer engenharia, minha filha. Comunicação não é para você" (nada contra os engenheiros, é só para mostrar a diferença entre as duas áreas). Talvez eu esteja reclamando de barriga cheia. Eu já tive vários estágios, ao contrário de amigos que não tiveram sequer um. Mas o fato é que ser estagiário... estagiotário é a palavra certa. Como já relatei neste blog, já aconteceu de o dono da empresa nem saber por que contratou um estagiário de comunicação. Eu quero um trabalho, mas estou mais que cansada desses lugares meia-boca, que tá na cara que não vai "agregar valor" (ô terminho maldito!) à minha carreira. Nessa salada toda, de volta à faculdade. Que parece mais uma cambada de alunos no melhor estilo High School americano (lembra do Porky's? Caso não lembre, use "America Pie" como referência). Gente discutindo a capa de Caras, a novela das 8 ou o Big Brother. Sem contar os "moleques", que só falam de gostosa da playboy e peitudas siliconadas. Atenção: é essa gente que vai cuidar da Comunicação Social daqui a algum tempo, seja no jornalismo, publicidade, RTV ou RP. Tá vendo o tamanho da roubada? O meu cansaço já virou apatia. Eu me sinto a Patty Pimentinha ouvindo a professora dizer apenas blah-blah-blah... porque é só isso o que significa para mim. Eu sempre tive essa sede de conhecimento, para depois transformar as coisas em algo melhor. Mas no final das contas, acabei como todos os outros: me dá logo esse diploma e me deixe ir embora. Escrito por Dona Xepa às 15h51 [ ] [ envie esta mensagem ] SGP do dia Aproveitando o clima de volta às aulas, a Sacada Genial da Publicidade do dia vai, novamente, para uma propaganda de uma instituição de ensino. Apesar de ter sido feita há pouco mais de 2 anos, ainda é uma mostra de como há publicitários que são pura criatividade. A instituição em questão chama-se Colégio Fênix, que na época do atentado de 11 de setembro espalhou em vários bairros de São Paulo um outdoor cuja frase não me lembro com exatidão, mas dizia algo próximo disso: “Bin Laden, logo se vê que você não estudou no Colégio Fênix”. Para dizer o mínimo, os publicitários dessa vez valeram-se do oportunismo infeliz de querer reverter uma tragédia em dividendos – e, o que é pior, logo para uma instituição de ensino, que deveria transbordar ética. O que me faz criticar também o colégio, que aprovou tamanha genialidade. O mínimo que se espera de um colégio é que lá dentro haja pessoas que pensem. Eu fico tentando imaginar por que a escola não continuou com essa brilhante divulgação. Idéias para os publicitários que criaram a primeira peça não seria problema: “Não faça parte do eixo do mal. Estude no Colégio Fênix.” Assinado: George W. Bush Quem não estuda no Colégio Fênix, só sai do buraco assim (Foto do Saddam sendo capturado). Viu só o que dá não estudar no Colégio Fênix, Fernandinho Beiramar? Mas tudo bem, isso está no passado. O Colégio Fênix optou agora por um outro tipo de comunicação. Preparado? Lá vai: propaganda no Shop Tour. É verdade!!! Assim sendo, só me resta uma pergunta: qual será o próximo passo? Comercial “disque 1406”?
É esse tipo de coisa que me faz ter sérias dúvidas sobre a qualidade do sistema educacional brasileiro. Escrito por Dona Xepa às 05h59 [ ] [ envie esta mensagem ] O teu cabelo não nega, Gisele
“- O que você passou no cabelo hoje, Gisele? - Nada, por quê? - Porque não faria mal algum passar um pente!
É mais ou menos assim que se pode resumir o “look” da modelo Gisele Bundchen. Como sempre, tudo o que ela faz vira notícia, seja desfilar com um biquíni de pedras preciosas ou com o Che Guevara estampado. Mas ao contrário do que costuma acontecer, o público reagiu negativamente. O próprio Zé Simão brincou dizendo que, para desfilar desse jeito, não era necessário gastar dinheiro com ela. Poderiam ter usado o Biro-Biro, ex-jogador do Corinthians. E porque nunca se ouviu um “Se é para ela desfilar assim, de cabelo liso, poderiam ter colocado o índio Juruna no lugar”? Descontado o fato de que o índio Juruna já morreu, a explicação é simples: porque brasileiro é sim preconceituoso. E não é só de cor, mas de cabelo também. Em um país onde a maioria da população tem cabelo crespo (desde um leve ondulado até o afro), usamos apelidos nada elogiosos para designá-lo: cabelo pixaim, ruim, duro, bom-bril, ninho de pomba bêbada (como o Jô Soares “carinhosamente” chama o Bira), piaçava, entre muitos outros nomes. Em contrapartida, temos o “cabelo bom”, ou seja, liso. Na música, a situação não é diferente: “nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia?”, “o teu cabelo não nega, mulata”... O absurdo vai se alastrando: já escutei e li dezenas de vezes consultores de RH aconselhando que a candidata deve ir à entrevista com o cabelo alisado porque, segundo pesquisas, esse visual inspira maior confiabilidade. A não ser que seu cabelo seja igual ao do Valderrama, onde dá para esconder não só o time da Colômbia, mas também a Farc dentro, não há porquê em não confiar em alguém de cabelo crespo. Como sempre, a competência dá lugar à esteriotipagem e ao preconceito. Os salões de beleza agradecem: os homens disfarçam seus cabelos raspando-os. Já as mulheres têm como opções a escova, os alisamentos ou o “alisamento japonês”, que pode chegar a um valor de até R$ 2000,00. Tudo isso para esconder a sua origem, um vestígio “negro” de seus antepassados. O problema para essa gente é que cabelo cresce e, no caso deles, cresce crespo. É uma guerra sem fim. Daí, no meio desse conflito, dessa vergonha que o brasileiro tem de si mesmo, aparece a Gisele com uma espécie de peruca black power. Logo ela - loira, olhos claros, magérrima e de seios fartos, considerada uma das mulheres brasileiras mais lindas e que, ao mesmo tempo, não reflete em nada o padrão brasileiro -, aparece na passarela com aquele cabelo duro, ruim, pixaim. Ela, que é tudo o que a mulher brasileira gostaria de ser: européia. Então as brasileiras gastam fortunas para implantar silicone, descolorir e alisar os cabelos e agora a dona Gisele faz isso? É para revoltar qualquer um, não acha?
Mas é a Gisele quem dita a regra no mundo da moda. Ela pode tudo. Até mesmo ter cabelo crespo. A única esperança que resta é que, com isso, o cabelo natural das brasileiras vire moda. Quem sabe assim as mulheres começam a cair na real e se aceitam como são, ao invés de “travestirem-se”? Escrito por Dona Xepa às 19h02 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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